Aparecida inicia escalonamento regional com larga adesão das empresas


8 de junho de 2020
Foto: Claudivino Antunes

Novo modelo de funcionamento do comércio começou pelas regiões da Vila Brasília e Alto Paraíso; nesta terça-feira, será a vez do Garavelo e da Zona da Mata

O escalonamento regional do comércio em Aparecida começou a funcionar nesta segunda-feira (8). Supermercados, lojas de rua, escritórios e empresas em geral das macrozonas Vila Brasília e Alto Paraíso seguiram a portaria 035/2020 e fecharam as portas hoje, nessa ação de combate ao novo coronavírus. O modelo implementado pela Prefeitura de Aparecida é inspirado em uma experiência positiva realizada em Israel.

A intenção com o escalonamento regional é aumentar em Aparecida o índice de isolamento social, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a medida mais eficiente no controle da Covid-19. Aparecida tem hoje 36% de isolamento social. Com o escalonamento, esse índice deve subir para mais de 50%, conforme recomenda a OMS.

Com 14 mil empresas, a Vila Brasília é a maior região comercial de Aparecida. Já o Alto Paraíso tem cerca de 1 mil comércios. Essa combinação diária, fechando sempre uma região grande e outra menor, é proposital. Segundo o secretário da Fazenda, André Rosa, é para garantir todos os dias o acréscimo de pelo menos mais 20% na taxa de isolamento social, fazendo com que Aparecida se mantenha no patamar superior a 50%.

Equipes do Grupo Operacional de Enfrentamento ao novo Coronavírus fizeram rondas na região da Vila Brasília e do Alto Paraíso para garantir a adesão ao escalonamento. A maioria dos comerciantes aderiu à medida. Até às 13h desta segunda feira, 08, oito postos de combustíveis funcionando na região da Vila Brasília. Já na Região do Alto Paraíso foram flagrados descumprindo a portaria 035/2020 dois postos de combustíveis; uma oficina de motocicleta; uma borracharia e um pet shop.

Todos eles foram orientados a fechar as portas para cumprimento da portaria que visa aumentar o isolamento social em Aparecida de Goiânia. As sanções para as empresas que ignorarem o escalonamento podem variar de interdição preliminar (sendo obrigadas a fechar as portas no dia da escala) a multa no valor aproximado de R$ 580 e, em último caso, na cassação do alvará de funcionamento.

Equipes da Guarda Civil auxiliam na logística das fiscalizações – Foto: Claudivino Antunes

O secretário da Fazenda de aparecida de Goiânia, André Luis Rosa acompanhou hoje a fiscalização na Vila Brasília. Ele explicou como será feito o monitoramento dos resultados do escalonamento. “A Prefeitura de Aparecida irá acompanhar o isolamento social através de uma plataforma do Estado de Goiás que utiliza as informações do aplicativo in loco”, esclareceu. Segundo ele, a fiscalização nas macrozonas fechadas terá um carácter mais orientativo nesta primeira semana.

O cinegrafista Lázaro Roberto Moreira, de 49 anos, mora na Vila Brasília. Ele disse que é favorável a esse modelo de escalonamento. “Se continuar assim, cada dia num bairro, não vai ter prejuízo para os comerciantes e vai melhorar bastante no combate ao coronavírus”, analisou Lázaro. Ele fez um apelo para que a população também colabore na prevenção à Covid-19.

As exceções

Não estão incluídas no escalonamento regional as feiras livres e especiais (que seguem Portaria própria); estabelecimentos de assistência à saúde no atendimento de urgência e emergência, incluindo os serviços odontológicos e hospitalares; estabelecimentos que prestem serviços funerários; e atividades de organizações religiosas (que também seguem Portaria própria); e atividades de segurança pública e privada.

Também estão fora do escalonamento as empresas situadas nos polos industriais do município que realizem o transporte de seus funcionários; transportadoras; empresas nas margens das BRs que realizem o transporte de seus funcionários; empresas de medicamento (fabricação e distribuição); delegatórios de serviços públicos; bancos e agências lotéricas; farmácias através de delivery (sem porta aberta); órgãos públicos.

Conscientização dos moradores

O secretário de saúde, Alessandro Magalhães, participou de uma live nesta segunda-feira para tirar dúvidas sobre o escalonamento regional. Segundo ele, o modelo iniciado hoje tem recebido o apoio de muitos empresários. “A maioria absoluta dos comerciantes tem contribuído conosco seguindo as regras que temos passado e feito um trabalho de conscientização com os seus funcionários”, acrescentou.

A Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO) declarou apoio ao escalonamento regional. Na live com o prefeito, o presidente da Fecomércio-GO, Marcelo Baiocchi, sugeriu que a Prefeitura de Goiânia copiasse o modelo de Aparecida. “É uma proposta inteligente, com dados técnicos e informações”, comentou Baiocchi. Ele completou que, “assim, a cidade como um todo sabe o seu papel nesse processo”.

Ações orientativas continuam

Além das rondas ostensivas nas macrozonas fechadas, o Grupo Operacional de Enfrentamento ao novo Coronavírus segue visitando os estabelecimentos abertos nas demais regiões de Aparecida. Esse trabalho busca primeiro orientar os empresários para que eles continuem seguindo os protocolos de segurança estabelecidos na Portaria 028/2020.

Uso obrigatório de máscara, disponibilização de álcool em gel, manutenção do distanciamento social e limpeza constante das lojas e empresas são algumas das normas estabelecidas na Portaria 028, editada e publicada no último mês de abril.

Pelas regras do escalonamento regional, comércios e empresas da região do Garavelo e da Zona da Mata devem ficar fechados nesta e nas próximas terças-feiras. Nas quartas ficarão sem abrir os comércios das macrorregiões Centro e Expansul; já nas quintas-feiras não abrem Santa Luzia e Papillon Park; por fim, nas sextas-feiras ficam fechados os estabelecimentos da região Cidade Livre e Buriti Sereno.

Os Sábados e domingos não entram neste primeiro cenário do escalonamento, podendo abrir normalmente, mas atentos aos moldes do alvará de liberação de funcionamento de acordo com cada CNPJ.

Texto: Allan David

Mais Notícias