Blitz conscientiza motoristas para a luta contra o trabalho infantil


12 de junho de 2018
Foto: Jhonney Macena

Ação foi realizada no Parque da Família e contou com a entrega de panfletos informativos com as atividades que configuram exploração da mão-de-obra infanto juvenil

Os motoristas de Aparecida de Goiânia tiveram um retorno para casa diferente no início da noite desta terça-feira, 12, Dia Mundial contra o Trabalho Infantil . Isso porque a secretaria de Assistência Social realizou uma blitz educativa para orientar e conscientizar a população sobre a luta de erradicação da exploração de crianças e adolescentes. Com o tema “Não Proteger a Infância é Condenar o Futuro”, servidores da pasta entregaram folhetos educativos na Avenida Independência, em frente ao Aparecida Shopping.

Presente na ação, a primeira-dama e secretária de Assistência Social, Mayara Mendanha destacou a importância da união entre poder público e população para que as crianças e adolescentes tenham direito à educação e lazer. “Este tema é muito importante, já que muitos ainda não sabem até que ponto o trabalho não afetará seu crescimento e seu futuro. Temos que nos unir para que as crianças e adolescentes não percam seus momentos de lazer, estudo e formação, pois o impacto na vida deles é muito negativo”, ponderou ela acompanhada dos secretrios Gerfeson Aragão (Esporte) e Einstein Paniago (Transparência).

Este é o segundo ano consecutivo que a data é marcada por uma blitz educativa. Nos folders entregues aos motoristas, motociclistas e pedestres haviam explicações do é considerado crime de exploração da mão-de-obra infantil. “Queremos que a sociedade se conscientize sobre os danos causados às crianças pelo trabalho infantil. E este material informativo explica como se configura este tipo de trabalho exploratório e os canais de denúncia”, sublinhou Vânia França, superintendente de Proteção Social Especial.

Entre os canais de denúncia estão o telefone Disque 100 onde a ligação é anônima, os Conselhos Tutelares das cidades, a própria secretaria de Assistência Social e os Centros de Referência em Assistência Social. “É hora de denunciar. Pois nossas crianças precisam dedicar suas vidas no desenvolvimento de atividades saudáveis, vivendo todo o universo de brincadeiras e estudo. Coisas que a criança não faria se estiver realizando algum trabalho. Por isso é agora que temos que cuidar e acolher”, pontuou a secretária Mayara.

Passando pela Avenida Independência no momento, Júnior, que o proprietário de um lava jato no Centro de Aparecida, explicou que não contrata crianças, mesmo muitas mães pedindo. “Eu sei que a situação hoje das famílias está cada dia mais difícil, mas lugar de criança é na escola e por isso nego, alguns pedidos por vaga de emprego”, comentou ele. A pena, para quem é flagrado explorando a mão-de-obra infanto-juvenil é de cinco a 15 anos de prisão.

“Além dos pontos citados, se a pessoa encontrar uma criança trabalhando para terceiros como feiras, bares, vendendo bala em sinais, entregando panfletos, pode entrar em contato também com o Ministério Público do Trabalho. Não somos contra aprender a fazer algo dentro de casa, mas não pode ser responsável totalmente pela residência. Assim, a criança só pode trabalhar a partir dos 14 anos no aprendizado e tem que estar frequentando a escola”, sublinhou Jonathas Procópio, do Fórum pela Erradicação do Trabalho Infantil.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, no Brasil, de 2007 à 2017, 226 crianças morreram enquanto trabalhavam em atividades perigosas, 40 mil sofreram acidentes, sendo 24.654 acidentes graves como faturas e amputações de membros. “São dados alarmantes de crianças que adoecem e morrem no trabalho. Esse dia de mobilização alerta a comunidade sobre essa realidade, uma prática ainda comum no país”, pontuou Vânia França.

Cata-Vento como símbolo – O cata-vento de cinco pontas coloridas (azul, vermelha, verde, amarela e laranja) é ícone da luta contra o trabalho infantil no Brasil e no mundo. Esse símbolo expressa a alegria que deve estar presente na vida de crianças e adolescentes. Representa ainda a realização de ações permanentes e articuladas para prevenção e erradicação do trabalho infantil.

Fonte: Daniela Ribeiro

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